segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A mimosa, de Francis Ponge: "a floração é um valor estético" / Le mimosa of Francis Ponge, “the blossom is an aesthetic value”


A obra A mimosa de Francis Ponge, de certa forma, estabelece um diálogo entre o pensamento Platônico e Aristotélico. Isso se dá porque Ponge parte da linguagem, que deve ter certa leveza para tratar da mimosa, o que é essencialmente Platônico apesar de sua obra ser essencialmente empírica. Para Ponge, a poesia é essencialmente o que há entre as palavras e as coisas. Ele busca uma mimosa universal, ideal, da qual fala “tenho apenas dela apenas uma idéia no fundo de mim” (p.35). Ao mesmo tempo afirma “não duvido que tenha sido pela mimosa que foi despertada minha sensualidade” (p. 35) o que nos remete ao mundo sensível, real e particular. Assim como quando fala que escrever sobre a mimosa é como girar em torno deste arbusto.


A escolha da planta mimosa para a obra encerra grande força de significados. A mimosa apresenta a característica de ser sensitiva, noção normalmente associada ao Reino Animal e não ao Vegetal. A mimosa, portanto ocuparia um lugar entre os reinos, assim como Ponge busca este lugar entre as palavras e as coisas. Ao trabalhar com a metáfora, utilizando termos como pêlos aveludados (p.33), plumas (p.43) ou piam (p.69) obtém verdade, ou melhor, verossimilhança por meio do processo de produção artística. Trata-se, portanto de discutir as fronteiras, como na obra entre a mimosa e eu e a mimosa sem mim (p.37), o que haveria? Talvez a própria produção.
O tema da estética torna-se constituinte na obra de Ponge, claramente, por exemplo, nos trechos “a floração é um valor estético” e “A flor é o paroxicismo do gozo do indivíduo” (p. 47 e 48 respectivamente). Daí pode-se depreender discussões a respeito de valor, destinação, objetivos e finalidades da arte. Como ele propõe, o Bom precede o Belo como foi apontado por diversos filósofos, para os quais a verdadeira beleza é interior.

Ponge, Francis. A mimosa. Trad. Adalberto Müller. Brasília; Ed. da UnB, 2003

Le mimosa of Francis Ponge, “the blossom is aesthetic value”.

The mimosa a Francis Ponge´s,  in a sense, establishing a dialogue between the Platonic and Aristotelian thought. This is because Ponge part of the language, which must have a certain lightness to deal with the mimosa, which is essentially Platonic although his work is essentially empirical. For Ponge, poetry is essentially what exists between words and things. He seeks an ideal of mimosa, universal, when he says "I only have it just an idea in the back of me" (p.35). At the same time said "I have no doubt that it was the mimosa that was awakened my sensuality" (p. 35) which brings us to the sensible world, real and particular. So, he says that writing about the mimosa is like to turn around this bush.
The choice of mimosa plant for the work has great meaning. The mimosa has the characteristic of being sensitive, a concept normally associated with the Animal Kingdom and not to Plant. The mimosa, therefore occupy a place among the kingdoms, as Ponge search this place between words and things. Working with the metaphor, using terms such as hair pile (p.33), plumes (p.43) or twitter (p.69) gives true, or rather, verisimilitude through the process of artistic production. It is therefore to discuss the borders, between me and the mimosa and  the mimosa without me (p.37),. What would? Perhaps the production itself.
The theme of aesthetics becomes a constituent of Ponge's work, clearly, for example, the terms "the bloom is an aesthetic value" and "A flower is the paroxicism of  the enjoyment of the individual" (p. 47 and 48 respectively). Hence we can conclude discussions of value, destination, goals and purposes of art. As he suggests, the Good follows the Fair as pointed out by various philosophers for whom the real beauty is inside.

Bibliographic reference:  Ponge, Francis. A mimosa. Translated from French to Portuguese by Adalberto Müller. Brasília; University of Brasília Publisher, 2003


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